|
RP-BAHIA: Como o senhor ver a utilização dos conceitos de Marketing nos ambientes educacionais? ALBERTO CLARO: O conceito de marketing, apesar de bem discutido nos últimos anos, ainda é objeto de desconhecimento por parte dos diversos gestores de empresas, dos mais variados ramos, acentuando-se essa situação ainda mais no ramo educacional. Essa dificuldade se baseia até nas próprias características desses dirigentes, oriundos muito mais da área de educação e da pedagogia do que propriamente da área de administração.A preocupação com a profissionalização dessas Instituições somente agora foi colocada na pauta das mantenedoras. Somente nos últimos anos que houve um aumento do interesse da profissionalização dessas equipes, em virtude do acirramento da concorrência e também da possibilidade da abertura desse mercado a empresas estrangeiras, que virão com uma estrutura altamente profissionalizada e aguçada para tratar com a gestão do ensino superior. A simples utilização da palavra marketing já causa certa ojeriza nos atuais dirigentes das Instituições de Ensino Brasileiras, que a partir deste momento chamarei de uma forma genérica de “IEB”, por que a sua utilização é confundida com um fundo simplesmente comercial, o que não é totalmente verdade, pois essa palavrinha tida como mágica no mundo dos negócios, simplesmente significa melhorar o relacionamento com seus stakeholders.
RP-BAHIA: O que é Marketing educacional? ALBERTO CLARO: Os autores se referem a marketing como um processo social, subentende-se que existem relacionamentos ocorrendo, entre os grupos ou pessoas descritos no conceito. Podemos transcrever isso para a realidade da Educação, como sendo um emaranhado de relacionamentos entre Instituições de Ensino, alunos, docentes, pesquisadores e funcionários, além da comunidade, que deveria ter o poder de interferir nos caminhos da Educação, pois, é interferida pela forma com que ela é passada a quem a procura.Mais à frente ele diz que esses grupos obtêm aquilo que necessitam e desejam, logicamente, hoje, pela exigência da sociedade e do mercado de trabalho, alguém que não possui, por exemplo, um curso de nível superior, com certeza, já está fora do mercado de trabalho da Era do Conhecimento, da qual falaremos mais à frente, alijado de uma possibilidade de ascensão social, mesmo que um diploma de graduação já não signifique o que significou décadas atrás. Essas necessidades e desejos estão sendo satisfeitos através da criação e oferta de cada vez mais cursos nas mais diversas modalidades e formações, alguns com valor agregado, outros simplesmente, com um cunho comercial bem escancarado, para ser sincero.
RP-BAHIA: O que o senhor acha do conceito de Transmarketing? ALBERTO CLARO: Sinceramente, nada contra neologismos ou conceitos inovadores que apareçam para enriquecer as atividades profissionais, mas muitos dos conceitos altamente "inovadores" de hoje, já se econtram nas leituras básicas dos autores clássicos sobre o assunto. Conforme seu prefixo, ‘trans’, significa ‘movimento para além de’, ‘posição para além de’. Transmarketing, então, é o que está além do Marketing, fora dele, antes e depois dele. Mas isso já é feito pelas organizações na hora de montar o seu planejamento estratégico. Muitas vezes as pessoas confundem Marketing com vendas, e Relações Públicas com "apaga-incêndios". Esse é um conceito míope, que deveria ser corrigido para a idéia que coloquei anteriormente, ou seja: o objetivo de qualquer empresa é a construção de relacionamentos, portanto, tanto Marketing, quanto RP se focam nessa atividade.
RP-BAHIA: O senhor acha possível a relação harmoniosa Marketing-Relações Públicas no ambiente das organizações? ALBERTO CLARO: Deveria ser uma relação bem amistosa, já que considero como premissa básica das atividades de marketing a construção de relacionamentos com os diversos públicos que uma organização possui, portanto, as estratégias mercadológicas independente ou não das ferramentas ou táticas utilizadas deveriam estar sempre calcadas na atuação de Relações Públicas, pois os profissionais desta área é que dominam os traquejos e a técnica necessária para esta construção. A questão é os feudos serem derrubados e todos trabalharem em conjunto, mas isso só é possível com os objetivos claros para todos, e aí a situação deve ser proporcionada por quem comanda estas organizações.
RP-BAHIA: O senhor gostaria de fazer alguma consideração ou complementação às questões anteriores que acredite ser pertinente a nossa discussão? ALBERTO CLARO: Sim, em relação ao marketing educacional. Percebo a necessidade da sociedade perder o pré-conceito com relação á utilização dessa estratégia pelas IEBs. E espero que mais pessoas iniciem o estudo nessa área. |