Cada vez mais visíveis em cafés e aeroportos, eles querem estar online 24 horas por dia. O mundo sem fio acabou por criar um novo personagem na fauna urbana (ou globalizada) dos negócios. Poucos entre os executivos ou profissionais liberais de última geração suportam ficar muito tempo sem conexão e por isso se atiram vorazmente à tecnologia tiracolo - em forma de notebooks, laptops, haldhelds e telefones celulares - capaz de carregar complexos manuais profissionais, dar acesso à internet, fazer teleconferências ou conversar com quem quer que seja quando quiser e de onde estiver, por distante que for.
Estar "up-to-date" com a tecnologia evoca ainda outras complexas conexões consumistas. Esse tipo de profissional, tal como ocorre com automóveis e outros objetos eletrônicos, quase sempre nutre por esses aparelhos uma afeição que vai além do mero apelo funcional. Conta aí, com maior ou menor fervor, o desejo de estar na crista tecnológica e não poupar exposição do material high tech pelos aeroportos e cafés de trânsito executivo pelo planeta.
"Eu acredito que o aumento desse tipo de profissional no Brasil esteja ligado em primeiro lugar às necessidades reais de trabalho e depois às inclinações consumistas. Não só os executivos que viajam muito, mas profissionais liberais que estão sempre em trânsito precisam ter recursos para acessar e-mails ou mesmo abrir manuais de procedimentos volumosos em um mero haldheld (mais conhecidos como "palmtop")", avalia Denis Gaia, consultor de consumo eletrônico da IDC Brasil, empresa internacional de consultoria em tecnologia da informação.
O especialista refere-se à "conectividade" e à "portabilidade" como os conceito centrais que melhor definem esse novo mundo, em que parece abolida a velha cena holiwoodiana - usada até por um desligado Super Homem - em que os protagonistas tinham de disparar em busca da velha cabine telefônica para conectar-se com seus mundos particulares. Agora, num simples toque de tecla, toda a conexão se perpetua.
E a boa notícia, e que faz com que esse tipo de profissional seja cada vez mais visível mundo afora, são os preços, que caem na medida em que a tecnologia avança, pelo menos para a faixa executiva de consumo. "Esses aparelhos estão se barateando e hoje ter um laptop com capacidade de conexão sem fio custa a partir de R$ 5 mil, ou um handheld com a mesma propriedade, R$ 2,5 mil", calcula o especialista da IDC.
A conectividade a que se refere Denis Gaia progride na mesma velocidade e de braços dados com a miniaturização de todos esses aparelhos. O handheld, por exemplo, pode transformar-se em tela para teclado dobravel e ser usado como um mini-notebook. Os notebooks estão cada vez mais leves e com maior capacidade de armazenamento de informações. E o próprio celular se reduz e esconde a antena.
Hoje ter um laptop wi-fi na mão é estar online com o mundo, porque em países como os Estados Unidos não há hotel ou aeroporto em que não haja oferta de redes para esse tipo de conexão", explica José Luiz Schiavoni, diretor da agência de comunicação S2, especializada no atendimento de companhias tecnológicas, ele próprio, um executivo conectado.
Schiavoni recomenda a quem queira estar 100% online em qualquer lugar do planeta a não abrir mão de um notebook com capacidade de conexão sem fio (que pode ser a tecnologia Centrino, que é o conjunto de chips da Intel que permite ação wireless), ter acesso a banda larga via celular, para o caso de não conseguir rede wi-fi disponível e um celular quadriband para ligar de qualquer lugar do mundo", resume Schiavoni.
Ele conta que certa vez, num fim de noite, num hotel, em Nova York, precisava enviar material para sua empresa, no Brasil. Acionou seu "tablet pc", um mini-notebook, e identificou imediatamente seis redes disponíveis para a internet. Uma delas, curiosamente, estava aberta e sem cobrança pelo uso. "Entrei, fiz o que precisava e dormi. No dia seguinte, quando tentei de novo a tal rede grátis havia desaparecido, o que significa que ela era algo temporário, para servir alguma feira naquela região. Daí usei uma rede paga", lembra.
Outro especialista na área, Daniel Domeneghetti, Sócio-Consultor da E-Consulting Corp, define o acesso remoto sem fio e todas as possibilidades dos aparelhos portáteis de conexão como uma revolução na vida de um executivo, mas que serve também a uma exaltação ao consumo. "Eu particularmente não gosto desse excesso de aparelhinhos. A tendência objetiva é a comunicação sem fio e, para isso, quem tiver na mala um notebook de última geração e um celular quadriband está bem servido", resume. Para ele, os conceitos a serem perseguidos por quem quer estar 100% conectado são "portabilidade, interoperabilidade, acesso rico (a todo tipo de conteúdo e com velocidade), mobilidade, comodidade e economia".
kicker: Abrir o notebook e tocar uma tecla é o suficiente para colocar o novo profissional sem fio em contato com o mundo
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Ismael Pfeifer)
Os executivos conectados e suas pequenas máquinas - Gazeta Mercantil 17/05/2005 |