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Exclusão profissional dificulta a conquista do 1º emprego
Prof. Alberto Claro, em entrevista ao jornal A Tribuna comenta a exclusão profissional e que fazer para o primeiro emprego


Link da notícia: http://atribunadigital.globo.com/bn_conteudo.asp?cod=330243&opr=103

 

Segunda-Feira, 26 de Novembro de 2007, 07:14

Exclusão profissional dificulta a conquista do 1º emprego

Da Redação


Patrícia Diguê

Dos 9,1 milhões de desempregados do Brasil, aproximadamente a metade tem entre 16 e 24 anos, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego. Além disso, do total de jovens nesta faixa etária no País (perto de 50 milhões de pessoas), 16% (8 milhões) não têm atividade alguma.

Santos acompanha a tendência nacional. Na Cidade, 47,79% desta parcela da população estão à procura de emprego, conforme a Pesquisa de Emprego e Desemprego de Santos de setembro. O estudo é feito semestralmente pelo Núcleo de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (Nese), ligado à Universidade Santa Cecília (Unisanta). Os números vêm se mantendo estáveis desde que os levantamentos começaram a ser feitos, em março de 2006.

Para os jovens, o desafio é conseguir uma vaga sem ter experiência. Para as empresas, por outro lado, apesar de sobrarem candidatos, faltam pessoas aptas aos serviços oferecidos. Na semana passada, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou que apenas 18% dos trabalhadores brasileiros têm os requisitos necessários para serem absorvidos pelo mercado de mão-de-obra especializada. Os dados vêm da pesquisa Demanda e Perfil dos Trabalhadores Formais no Brasil. 

O coordenador de pesquisa do Nese, Jorge Manuel de Souza Ferreira, considera uma distorção o fato de pessoas tão jovens aparecerem na pesquisa em busca de emprego. 

O pesquisador é crítico em relação aos programas governamentais de incentivo ao ingresso dos jovens no mercado de trabalho. ‘‘O que ocorre é que o jovem é contratado devido ao incentivo, mas depois é mandado embora. O Governo tinha que se preocupar em criar empregos no geral, que a partir daí o mercado se ajeita. Também precisa cuidar da formação, porque quem está bem preparado consegue emprego’’.

PODER DE ADAPTAÇÃO

Para o professor do curso de mestrado em Gestão de Negócios da Universidade Católica de Santos (UniSantos), José Alberto Carvalho dos Santos Claro, o papel da universidade hoje é formar profissionais que podem se adaptar às constantes mudanças do mercado. ‘‘O profissional tem que estar preparado para pensar a organização em que trabalha. Não adianta ensinar o aluno a utilizar uma ferramenta específica, algo que esteja na moda, porque daqui a dois anos ela já estará ultrapassada’’.

Na opinião dele, as capacidades específicas devem ficar a cargo dos cursos técnicos. ‘‘Muitas vezes a pessoa sai da faculdade e faz este tipo de curso para poder disputar uma vaga’’. 

O professor é responsável pelo recém-criado setor de Relacionamento e Interação de Negócios, que visa servir de intermediador entre os formandos e as empresas.

Em breve, a universidade lançará um portal do programa, onde haverá banco de currículos e de vagas. Segundo Carvalho, as áreas em que normalmente os alunos já saem da faculdade empregados são as de tecnologia, administração e economia. ‘‘Mas é importante que o jovem saiba que o mercado não precisa só de pessoas com formação universitária, mas também de técnicos’’.

Outra ação da faculdade será incentivar o empreendedorismo. Até o ano que vem, todos os cursos terão esta disciplina na grade. Além disso, a instituição vai implantar uma pré-incubadora de empresas para viabilizar projetos apresentados pelos alunos em seus trabalhos de conclusão de curso.

Ponto e contraponto

Ela conseguiu
Rosália Matias de Melo Neta, de 19 anos, é só sorrisos. Ela acaba de ser contratada com carteira assinada por uma empresa que presta serviços administrativos à Codesp. A vaga surgiu depois de estágio de dois anos na própria estatal. Ela obteve a vaga de estagiária através do Consórcio Social Porto da Juventude. Pelo projeto, promovido em parceria com o Ministério do Trabalho, Rosália frequentou dois cursos profissionalizantes, Turismo e Secretariado, em 2005, e foi encaminhada à estatal. Antes, só tinha trabalhado como babá e, temporariamente, numa loja. ‘‘Também tive sorte, porque uma funcionária está entrando de licença-maternidade e eles precisavam de mais uma funcionária’’, comenta com humildade. Mostrando ter os pés no chão, pretende seguir um curso técnico de administração no Senac. ‘‘Primeiro quero ver se gosto mesmo desta área. Aí depois vou prestar vestibular’’.

Ele está em busca
A vida de Gustavo Martins de Oliveira, de 20 anos, tem sido procurar vagas em jornais e internet e mandar currículos. Isso desde que foi dispensado do MC Donald’s, onde trabalhou por um mês, mas acabou não sendo efetivado após o período de experiência. Antes, havia atuado por um ano como guarda municipal em São Vicente, um serviço temporário. Para ele, conseguir o primeiro emprego está cada vez mais difícil, já que muitas pessoas com experiência também se encontram desempregadas. Seu plano agora é seguir o curso de operador de empilhadeira, com duração de um ano e meio. ‘‘Já me matriculei no Senai, meu pai vai me ajudar a pagar’’. Gustavo também está providenciando a carteira de motorista profissional exigida pela profissão. ‘‘Escolhi o curso porque vi que existem muitas vagas nesta área’’. Na opinião dele, faltam programas governamentais para auxiliar os jovens na obtenção do primeiro emprego.



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