segunda-feira, 13 de maio de 2013

Mais dicas para elaboração de artigos científicos

Este post foi desenvolvido na disciplina que ministro (Texto Acadêmico: Pesquisa e Publicação) no Programa de Pós-Graduação em Administração – Mestrado em Administração (PPGA) da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Corresponde às reflexões pertinentes aos seguintes temas debatidos em nossa sétima aula: Critérios empregados para análise e avaliação de textos científicos. Erros mais comuns dos pesquisadores iniciantes. Apresentação dos critérios utilizados pelos avaliadores em comissões ou em trabalhos no julgamento de produções acadêmicas. Plágio, Ética e Direitos Autorais na publicação. Acesso Livre.

Seus autores (e também debatedores na aula) são: Elen Cristina Albuquerque Silva, Gisele Gracindo Alves Machado e Wanderson da Silva Damião

Vamos tratar a importância do papel Avaliador X Avaliado, sua conduta moral e ética acadêmica, pois o este pode ser avaliado em  momentos diferentes, para isso é tão importante a preservação da identidade de ambos no processo. Além de que se faz necessário o respeito mútuo entre as partes, principalmente no papel de avaliador que jamais deve compartilhar um parecer vago, isto, o parecer deve ser claro, detalhado e proporcionar a oportunidade de contra-argumentação do autor.

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É importante ressaltar o respeito mútuo, pois ao longo do processo de socialização, docentes e pesquisadores são preparados para lidar com a crítica do outro, como forma de construir e aprimorar o conhecimento.

Dentro deste conceito, é importante ressaltar que muitas vezes o avaliador assume uma postura negligente em seu parecer, e esse risco aumenta quando mesmo está sob pressão, quer seja para avaliar diversos trabalhos, ou ainda por conciliar suas atividades profissionais. O poder de decisão esta nas mãos do avaliador, que deve se fundamentar:

ü Razão ética (razões para agir);

ü Razão estética (razões para sentir);

ü Razão teórica (razões para crer);

Apesar de haver formulários de instrução para efetuar o parecer, muitas vezes o parecer tem qualidade duvidosa, além de atraso nos prazos. Recusar avaliar um trabalho é passível de censura, porém em muitos casos os avaliadores não tem qualidade em suas avaliações, ou seja, não se preocupam com o conteúdo.

De acordo com Sarah Miglioli “Originalidade e ineditismo como requisitos de submissão aos periódicos científicos em Ciência da Informação” trata a importância da originalidade em artigos (duplicidade de publicações), ou seja, cuidar para não ferir a ética acadêmica (1. Submissão simultânea; 2. Publicação do mesmo trabalho em diferentes veículos).

“Direitos Autorais”

A lei que regula os direitos autorais é a 9.610 de 1998 que garante ao criador de uma obra intelectual o direito de usufruir todos os benefícios.

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Direito Autoral: direito que o criador de uma obra intelectual tem de gozar dos benefícios morais e econômicos, resultantes da reprodução.

Direito Moral: garante que ao criador o poder de reivindicar a autoria da obra, bem como a menção de seu nome.

Direito Patrimonial: trata o retorno financeiro (é negociável)

O registro do direito autoral não é obrigatório, enquanto a marca e patente sim.

Publicações Científicas

Os primeiros periódicos científicos surgiram no século XVII, originários das cartas e das atas que os cientistas usavam para se comunicar e para divulgar suas ideias e descobertas. Na década de 80, ocorreu a chamada crise dos periódicos, devido o aumento do preço das assinaturas. Assim, em meados dos anos 90, o crescimento da internet e a criação dos periódicos eletrônicos, levou uma resposta a tal crise proporcionando o acesso aberto a artigos (NEUBERT, RODRIGUES e GOULART, 2012, p. 391).

Neubert, Rodrigues e Goulart (2012, p. 391), ressaltam que:

“ O acesso aberto assume assim um importante papel em todo o contexto da atividade científica, pois permite ao pesquisador ter acesso aos resultados de outros estudos sem as barreiras de custos e dificuldades de acesso, e promove a visibilidade e a divulgação dos resultados das atividades cientificas de cada pesquisador e de cada universidade”.

Jambeiro, Rosa, Barros e Meirelles (2012, p. 144), definem comunicação científica em dois princípios:

“... em primeiro lugar, como a troca de ideias entre pesquisadores, com a utilização de canais tradicionais ou eletrônicos, formais ou informais; em segundo lugar, como a disseminação do conhecimento erudito ou científico para o público leigo.”

Lievrouw (1992) considera que a comunicação científica é feita em três etapas subsequentes, sendo:

1. conceituação: onde os processos comunicacionais se dão num âmbito bastante restrito, sobretudo entre aqueles indivíduos que possuem um relacionamento harmonioso e de confiança mútua, em ocasiões informais.

2. documentação: compreende um processo mais bem elaborado, num nível formal, envolvendo a avaliação pelos pares e considerando que existem regras a serem seguidas, como no caso de submissões de artigos para periódicos.

3. popularização: envolve a divulgação do conhecimento de forma ampla para os pares e para o público em geral.

As divulgações científicas tiveram grande impulso para a utilização de redes via internet através de Stevan Harnad e colaboradores (2001), que idealizou duas estratégias de ação, uma denominada Via Dourada e outra Via Verde:

Para a via Dourada define-se:

“... se refere à produção e ampla disseminação de periódicos eletrônicos de acesso aberto na rede. Ao publicarem em periódicos de acesso aberto, os pesquisadores potencializam a comunicação científica, possibilitando a ampliação do diálogo com seus pares. Para isto foram criadas várias ferramentas para a produção de periódicos de acesso aberto, cuja implantação serve de comprovação da adesão ao movimento. Estas ferramentas, além de propiciar maior rapidez ao processo editorial, são desenvolvidas em software livre (open source) e, em grande parte, construídas de forma colaborativa, o que propicia a criação de fóruns de desenvolvedores e de usuários” (HARNAD, 2001).

Já a Via Verde,

“... trata da criação de repositórios institucionais (RI), tendo por objetivo principal a organização e disseminação da produção científica das instituições de pesquisa. Para isto, cada instituição deve orientar sua comunidade, conscientizando-a de seu papel para o sucesso do estabelecimento de uma política de comunicação de sua produção” (HARNAD, 2001).

Assim, Jambeiro, Rosa, Barros e Meirelles (2012), em um estudo de caso na UFBA (Universidade Federal da Bahia), levantaram alguns questionamentos quanto aos repositórios institucionais, e concluíram que sua maior necessidade é avaliar sua implantação e seus resultados para a comunidade interna e externa fazendo as seguintes observações:

1. qual é a sua repercussão?

2. de que forma vem contribuindo para os pesquisadores que acessam seu conteúdo?

3. Qual é o perfil dos usuários do repositório?

Caso contrário, os artigos terão um fim em si mesmo e não contribuíram com o progresso científico e o desenvolvimento social.

Com o aumento das publicações de artigos em revistas científicas, se identificou a necessidade de avaliar se os pares avaliadores estão proporcionando aos editores os recursos para decisão de publicar um artigo e as ferramentas para melhora do manuscrito por parte do autor. Uma avaliação foi feita por Caviedes, Salgado e Trzesniak (2012) nas Revista Colombiana de Psicologia os anos de 2010 e 2011.

Um artigo científico passa basicamente por dois processos de avaliação, onde o primeiro é uma avaliação prévia em que o editor realiza uma revisão inicial do manuscrito, com o objetivo de verificar se o artigo tem uma qualidade muito pobre (Rowland, 2002). Esse primeiro estágio evita o desperdício de recursos e tempo por parte dos pares de avaliação, uma vez que se detecta inicialmente que o manuscrito não contém um mínimo e um artigo científico (CAVIEDES; SALGADO E TRZESNIAK, 2012, p. 38).

A segunda parte da avaliação de um artigo científico, é a avaliação por pares, onde estes verificam com detalhe o artigo para confirmar se este tem mérito científico, ou seja, é relevante para ser editado (CAVIEDES; SALGADO E TRZESNIAK, 2012, p. 39).

Os pares de avaliação são acadêmicos ou jurados especialistas sobre o tema do artigo, procurado pelos editores. Esses avaliadores, após a verificação do artigo, descrevem suas apreciações e comunicam o editor indicando que (a) publicou em seu estado atual (pode exigir algumas alterações apenas na forma), (b) emitido após grandes correções (quando é um trabalho empírico relevante e bem feito, mas o relatório não foi apresentado de forma adequada) ou (c) não publicado (quando não há nenhum mérito científico no manuscrito) (CAVIEDES; SALGADO E TRZESNIAK, 2012, p. 39).

Benos, Kirk & Hall (2003) citam os seguintes pontos de verificação dos avaliadores: (a) relevância da questão de pesquisa, (b) a novidade e a contribuição do estudo, (c) os pontos fortes e fracos da metodologia e interpretação dos resultados, (d), estilo e apresentação de figuras e tabelas, e (e) questões éticas.

Caviedes, Salgado e Trzesniak (2012, p. 39), ressaltam:

“... deve rever os resultados e discutir se o artigo como um todo é consistente com a questão da pesquisa. Espera-se que o par avaliador concentra-se nos aspectos que se relacionam diretamente com o mérito científico do estudo apresentado aqui, mas podem ser mencionados aspectos de ordem formal (como por exemplo, a escrita, o monitor APA, etc.) ou editor (por exemplo, que o manuscrito tem os componentes de um artigo científico)”

Dessa forma, os pares avaliadores auxiliam o editor em sua decisão de publicar ou não um artigo científico, focando os aspectos que somente ele como especialista pode avaliar pois outros elementos podem ser avaliados por um editor, assistente editorial e alguns aspectos por um editor de textos (CAVIEDES; SALGADO e TRZESNIAK, 2012, p. 39).

Os avaliadores também auxiliam os autores, pois os seus comentários ajudam o seu artigo ser aprovado pelos editores e em casos de não publicação, saberá o que precisa melhorar para seu artigo ser aceito (CAVIEDES; SALGADO e TRZESNIAK, 2012, p. 40).

Os desafios a comunidade científica para alcançar a qualidade do conteúdo segundo Trzesniak, Caviedes e Salgado (2012), são:

1. o desafio a autoras e autores é não publicar mais um artigo, porém avançar no conhecimento;

2. o desafio a revisoras e revisores é se engajar na avaliação de trabalhos relevantes;

3. os desafio aos órgãos de fomento é levar em consideração não apenas o número de artigos publicados, mas também os totais bruto e líquido de submissões, aprofundando as questões de qualidade intrínseca;

4. o desafio das instituições que publicam revistas, é melhorar a qualidade de seus conteúdos.

5. aos editores, é desapoiar artigos não relevantes.

A legitimação científica assim, assume um importante papel. Zelditch (2001, p.9) define legitimação como um “processo que conforma o inaceitável às normas, valores, práticas e procedimentos aceitáveis”. Portanto, por definição, legitimidade depende de consenso.

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Acesso livre (AL), do inglês Open Access (OA), é a forma abreviada como no mundo dos sistemas de informação e documentação científica se refere ao acesso livre ao conhecimento. Acesso livre significa a livre disponibilização na Internet de literatura de carácter científico, permitindo a qualquer utilizador pesquisar, consultar, descarregar, imprimir, copiar e distribuir, o texto integral de artigos e outras fontes de informação científica.

O texto A primavera Acadêmica e o Custo do Conhecimento se refere aos movimentos entre os acadêmicos e cientistas a favor do acesso livre e contra as politicas das editoras comerciais acadêmicas, que cobram altíssimo preço tanto para quem publica seus artigos quanto para quem quer utilizar o serviço.

No texto A questão do livre acesso aos artigos publicados em periódicos científicos nos mostra que entre os períodos de 1986 a 2006, mesmo com um elevado índice de inflação, as assinaturas dos periódicos científicos cresceram 320% e que atualmente existe revistas cuja assinatura anual chega a 25 mil dólares.

Em 1989 Tim Berners-Lee inventou a grande teia mundial (world wide web) e ao mesmo tempo, o primeiro editor, o primeiro navegador e o primeiro servidor, facilitando assim o acesso livre.

Segundo o texto:

·O principal objeto do acesso livre é a literatura acadêmica revisada por pares...

·A informação oferecida em acesso livre somente deve ser usada para propósitos legais...

·Não devem existir barreiras financeiras, legais ou técnicas...

·São plena ou totalmente garantidos a autoras e autores o controle sobre a integridade de seu trabalho...

Com o acesso livre, as vantagens aumentaram muito para quem necessita manter-se inteirado dos assuntos mais recentes em sua área de pesquisa.

Para evitar que o custo-lucro volte a se tornar uma ameaça é preciso que os pesquisadores fiquem atentos para que o acesso livre seja bem feito e com qualidade.

Direitos de Autor: as licenças Creative Commons

Com a liberação na internet para que os pesquisadores e pesquisadoras divulgassem seus artigos científicos, passou-se a existir os direitos legais, pois não haveriam mais quem zelassem por isso.

A solução então veio através das licenças creative commons (Licenças CC), cujos três alicerces são:

· Versões em linguagem simples, transparente e acessível...

· Entidades que zelem pela atualização, respeitabilidade e preservação dos princípios das licenças creative commons em seus respectivos países...

· Um contrato formal, adaptado à legislação local e mantido pelo representante creative commons...

Se preocupe em antes de submeter um artigo, revisá-lo. Saiba Como. Leia este artigo sobre a natureza da escrita, para poder refletir sobre o que coloca no papel (ou na tela).

Bibliografia

BARROS, M. A. DE. A Primavera Acadêmica e o custo do conhecimento. Liinc em Revista, v. 8, n. 2, p.365-377, set 2012.

COSTA, M. T. F. DA. O uso de recursos educativos abertos (rea) como recursos didáticos: benefícios para alunos e professores. O caso do repositório científico de acesso aberto de Portugal. Liinc em Revista, v. 8,n. 2, p. 402-412, set 2012.

CAVIEDES, T. P.; SALGADO, O. A. C.; TRZESNIAK, P. Dictámenes en Revistas Científicas : lo que Necesitan los Editores y Autores , lo que Hacen los Evaluadores. Oscar Alejandro Córdoba-Salgado. Revista Colombiana de Psicología, v. 21, p. 37–55, 2012.

Anotações:

JAMBEIRO, O.; ROSA, F. G. M. G.; BARROS, S. S.; MEIRELLES, R. Comunicação Científica: estudo de caso sobre uma política de acesso aberto para a produção acadêmica. Perspectivas em Gestão & Conhecimento, v. 2, n. 2, p. 143–155, 2012.

NEUBERT, P. DA S.; RODRIGUES, R. S.; GOULART, L. H. Periódicos da Ciência da Informação em acesso aberto : uma análise dos títulos listados no DOAJ e indexados na Scopus. Liinc em Revista, v. 8, n. 2, p. 389–401, 2012.

MUELLER, S. P. M. A comunicação científica e o movimento de acesso livre ao conhecimento. Ciência da Informação. Universidade de Brasília., v. 35, n. 2, p. 27–38, 2006

SAITO, R.; HIRAMOTO, E.; SAITO, C. C. Taxa de publicação em periódicos de artigos apresentados em encontros acadêmicos de Administração. Revista de Economia e Administração, v. 8, n. 4, p. 422-440, dez 2009.

TRZESNIAK, P.; CAVIEDES, T. P.; SALGADO, O. A. C. Qualidade de Conteúdo , o Grande Desafio para os Editores Científicos. Revista Colombiana de Psicología, v. 21, n. 1, p. 57–75, 2012.

TRZESNIAK, P. A questão do livre acesso aos artigos publicados em periódicos científicos. Em Aberto, v.25, n. 87, p. 77-112, jun. 2012.

ZELDITCH, Morris. Processes of legitimation: recent developments and new directions. Social Psychology Quarterly, v.64, n.1, p.4-17, 2001. Disponível em: http:www.jstor.org/ Acesso:31 março 2006.

LIEVROUW, Leah Anne. Communication, representation, and scientific knowledge: a conceptual framework and case study. Knowledge, Technology & Polity, v. 5, n. 1, p. 6-28, mar. 1992. Disponível em: http://web.ebscohost.com/ehost/detail?vid=3&hid=101&sid=01677032-8edf-40dd- ebc94f0be1661a%40sessionmgr111&bdata=JnNpdGU9ZWhvc3QtbGl2ZQ%3d%3d#toc. Acesso em: 4 nov. 2009.

HARNAD, Stevan et al. The access/impact problem and the green and gold roads to open access. 2001. Disponível em: http://www.ecs.soton.ac.uk /~harnad/Temp/impact.html. Acesso em: 18 jul. 2008.

Benos, D. J., Kirk, K. L. & Hall, J. How to review a paper. Advances in physiology education. 27 (2), 2003, p. 47-52.

Rowland, F. Te peer-review process. Learned Publishing, 15, 2002, p.247-258.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Outras dicas:

Como escolher um orientador de mestrado ou doutorado

Como elaborar resumos de trabalhos acadêmicos

O que é uma monografia?

O que não se deve fazer em uma dissertação ou tese

Resenhas e artigos: O desafio do trabalho acadêmico ou científico

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