segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Os problemas das compras coletivas na internet

do Gizmodo Brasil de Felipe Ventura

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O fenômeno das compras coletivas estourou no Brasil este ano: depois que o Peixe Urbano foi lançado, diversos sites apareceram com a mesma proposta - reunir, através da internet, um número mínimo de pessoas para oferecer grandes descontos em produtos e serviços. Esses sites mobilizam milhões de internautas no Brasil, mas quem usa seus serviços pode ter dores de cabeça: ofertas mal explicadas, atrasos na entrega e até discriminação - então veja os cuidados a se tomar nas compras coletivas.

O IDG reuniu as reclamações contra sites de compra coletiva feitas no site Reclame Aqui. Até sexta-feira, o Groupon/Clube Urbano, ClickOn e Peixe Urbano tinham 608, 528 e 463 reclamações, respectivamente. Clubes de compra têm número maior: o Privalia conta com 2.160 reclamações, enquanto o Brandsclub tem 2.099.

O caso seguinte é um dos cinco detalhados pelo IDG:

Em 9/11, às 8h46, um consumidor relatou a experiência de ter comprado, para a esposa, uma sessão de tratamento de beleza num salão do Rio de Janeiro. Diz ele que, depois que se identificou como portadora de voucher do Peixe Urbano, foi tratada de forma discriminatória. “Lá vai o peixe... Esses peixes não são fáceis... Esses peixes só dão trabalho... Vamos fazer um meia boca nesse peixe e tá muito bom”, disseram as atendentes, segundo o consumidor. “O ponto alto do ato discriminatório foi quando minha esposa foi proibida de retornar à cadeira a qual ela iniciou o tratamento porque ela era ‘peixe’, conforme disse um funcionário”, relembrou.

Ou seja, a empresa decidiu oferecer descontos pelo Peixe Urbano e mesmo assim tratou o cliente com preconceito - o cliente que correu atrás da oferta e pagou por ela. O Peixe Urbano respondeu pedindo desculpas e dizendo que encaminharia a reclamação para a empresa. A responsabilidade foi da empresa, não do site de compra coletiva, mas é um risco que o consumidor pode correr. Os outros casos envolvem oferta mal explicada, atrasos e cancelamentos, validade expirada de vouchers e até empresa que fechou as portas - vale a pena ler todos no IDG.

Claro, muitos dos milhões de participantes das compras coletivas até hoje no Brasil devem ter saído satisfeitos, mas é bom tomar alguns cuidados: segundo Mariana Alves, advogada do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), vale checar se o site de compra coletiva fornece CNPJ, endereço e telefone, além de salvar a página da oferta e da confirmação da compra. E, claro, sempre checar os termos da oferta e o prazo dos cupons, evitando compras por impulso - dependendo do caso, nem vale a pena participar de uma promoção.

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