sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004

O papel da mulher como consumidora

O papel da mulher como consumidora
Em entrevista à jornalista Aline Pereira para o jornal "Comércio Forte" da Associação Comercia de Praia Grande, o Prof. Alberto Claro, sobre o papel da mulher no comércio da região.

Em entrevista à jornalista Aline Pereira para o jornal "Comércio Forte" da Associação Comercia de Praia Grande, o Prof. Alberto Claro, sobre o papel da mulher no comércio da região.
 
1. Você sabe qual é a estimativa de participação da mulher no mercado (nas compras), como consumidora?
 
Embora o homem ainda exerça um papel de forte consumidor, continuam em ascensão o poder de compra das mulheres e sua importância como consumidoras. Sua participação no mercado de consumo cresceu muito na última década e crescerá mais ainda. Hoje, 70% das decisões de compra, direta ou indiretamente, dependem delas. 
 
2. O que a mulher leva em consideração na hora de comprar qualquer mercadoria?
 
As mulheres, normalmente, consideram-se, em sua maioria, pessoas delicadas e extremamente calmas. Mas rejeitam os adjetivos de submissas e desagradáveis, além de se considerarem modernas e organizadas. Se sentem bem gastando com alguns produtos, principalmente de uso pessoal, porém também se acham econômicas, principalmente em artigos que pesem demais o orçamento familiar. Com isso, a vaidade é admitida como uma característica presente nas mulheres, e com isso elas não economizam, fazendo até, aguns excessos. Claro que, a exclusividade do produto oferecido a ela, bem como a qualidade do atendimento são fundamentais para que uma empresa conquiste essa consumidora. E ela adora pechinchar!
3. Qual é o perfil da mulher ativa no mercado consumidor?
Nas últimas décadas, as mulheres invadiram o mercado de trabalho. Esse ingresso veio associado a transformações nas relações familiares e conjugais (como exemplo, o número de famílias chefiadas por mulheres encontra-se em constante crescimento). Esses avanços, no Brasil, no entanto, encobrem obstáculos importantes a serem superados no século XXI. Em outras palavras, as mulheres representam mais de 40% da força de trabalho no país. Porém, esta inserção ainda é preponderante nas ocupações e ofícios que guardam correlação direta com as funções que elas desempenham no espaço doméstico, tendo menor status social e demandando menor qualificação formal; conseqüentemente auferindo menor renda.
E, apesar de estudarem por um período mais longo, obtendo no setor industrial, por exemplo, um ano a mais de escolaridade do que os homens, a remuneração obtida pelos homens é maior e o desemprego feminino fica sempre acima do masculino. E quanto maior a escolaridade, maior a diferença salarial entre homens e mulheres na mesma ocupação. As barreiras, visíveis e invisíveis, que mantêm as mulheres fora dos cargos mais qualificados e mais bem remunerados são inúmeras: a feminização de determinadas profissões e sua subseqüente desvalorização, resistências sociais, a maternidade e a desigualdade na divisão das tarefas domésticas, a falta de massa crítica de mulheres nas organizações, etc.
Mas, é certo que a mulher hoje é cada vez mais emprendedora, e o número de mulheres em cargos de chefia cresceu 30% nos últimos dois anos. O detalhe mais interessante do avanço feminino é que elas são promovidas mais rápidamente do que os homens. Com isso, ela se torna mais exigente e com uma renda em crescimento, dependendo da ocupação profissional que ela exerce, exigindo produtos de maior qualidade e personalizados aos seus interesses e perfís.
 
 
4. Quais são os produtos ou serviços que as mulheres mais consomem?
 
Com certeza, as consumidoras estão procurando produtos mais saudáveis e inovadores, que sejam seguros e de prática utilização. Na esteira de uma tendência mundial cresce o consumo de produtos diet/light, indicados para quem precisa manter dietas restritivas ao açúcar ou está preocupado com a estética e em manter hábitos alimentares saudáveis. No Brasil, país da proliferação das cirurgias plásticas, clínicas de estética, academias de ginástica e das poções milagrosas para emagrecimento, não poderia ser diferente. Refrigerantes, refrescos em pó, sobremesas, pães, sopas, pratos prontos congelados e até o cafezinho com baixas calorias tornaram-se itens obrigatórios na dispensa de muitas brasileiras. Por modismo, vaidade ou maior atenção à saúde, as mulheres são o público que mais faz uso desses produtos. Além disso produtos de beleza personalizados de acordo com a origem étnica também são procurados. Além de produtos para facilitarem as tarefas no lar.
 
 
5. Quais são as ações que os comerciantes podem tomar para atender ao publico feminino?
 
A mulher é a que mais compra, mas em geral assume diversos papéis, por estar comprando para vários tipos de consumidores - filhos, pai, marido e para ela própria. É preciso trabalhar as várias facetas dessa mesma mulher, promover motivações diferentes e não tratá-la simplesmente como a cliente que chega para reabastecer a despensa de casa.
Lojas com excelente ambientação, onde as consumidoras se sintam bem, aliadas a excelente atendimento por parte dos atendentes. Os comerciantes também deveriam se preocupar em fortalecer as suas marcas junto a esses públicos. O oferecimento de serviços e consultorias para o publico feminino, que facilitem a sua vida, também são fundamentais. E claro, não se pode esquecer do ponto de venda, que deve oferecer facilidade de acesso e estacionamento, ou então levar os produtos até onde as consumidoras estão, sua residência ou local de trabalho. Isso é gerar conveniência.
 
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